Preconceito
Como a própria palavra já nos diz, é uma forma de darmos conceito pré-existente a uma pessoa, nos últimos meses não tenho escrito muito por causa da minha graduação que vem me exigindo cada vez mais, mas me senti na obrigação de escrever sobre tal ato.
Na semana que o movimento GLBTS reuniu quase 2 milhões de pessoas na orla de Copacabana no Rio de Janeiro, um fato ocorrido no último dia 5 de novembro me deixou revoltado, triste e pensativo: em pleno século XXI somos hostilizados por quem somos? O diferente será sempre visto de forma a ser combatida?
O fato que narro, aconteceu muito próximo de mim, não foi comigo, pois se tivesse acontecido prometo que aconteceria muita coisa, não deixaria passar.
Dia 5 de novembro, foi final do Concurso Estilo PUC, organizado por alunos o concurso reuniu em um desfile nesta edição de 2009, 20 modelos de ambos os sexos para definirem o chamado “Estilo PUC”, essa edição teve grande destaque inclusive durante os preparativos, cobertura do Portal “G1”, Jornal “O Globo”, Jornal “Hoje” e uma chamada no “Jornal Nacional”, isso devido à grande influencia que a PUC exerce na chamada elite burguesa “cultura e intelectual” carioca e ter entre os jurados a famosa coreógrafa Deborah Colker. Hoje, um dia após o desfile do concurso, estampa a primeira página do Portal G1, na seção “em foco”…
Para os que não foram ao campus especificamente no pilotís Kenedy, e por coincidência do destino chamado Ala da Amizade, pensam que o evento fora uma maravilha, com um grande cunho social, pois a vencedora do estilo PUC feminino foi uma moradora do Chapéu Mangueira, muito bonita por sinal.
Você, que me lê, pode estar pensando o que isso tem haver com preconceito, causa GLBT e estilo PUC. Bem um fato ocorrido não mereceu ganhar destaque nos meios onde o evento foi coberto pela “grande mídia”, um dos finalistas masculinos se apresentou com seu estilo, sendo tachado como “extravagante” (leia-se “gay”), durante sua apresentação um sapato voou da platéia, composta na maioria por alunos (leia-se “a futura elite burguesa ‘cultural e intelectual’ carioca”), por pouco não acerta a grande convidada da noite a coreógrafa Deborah Colker.
O fato em si foi dado pelos organizadores, também alunos, como isolado e nada que impedisse o ‘brilhantismo’ do evento.
Será que se o bendito sapato atingisse Deborah Colker, não estaria também na primeira capa do G1 e no jornal O Globo? Entretanto, o fato de ter sido jogado em um aluno considerado gay pelo lançador de sapato, nada tem de importante, e isto na semana em que a causa GLBT reuniu quase 2 milhões de pessoas e a cidade do Rio de Janeiro ter sido eleita o melhor destino Gay do mundo.
Me pergunto, nada que “impedisse o ‘brilhantismo’ do evento” seria o fato de que houve hostilidades e, podemos afirmar, tentativa de agressão, foi sim o fato de que mais uma vez demonstramos que 2 milhões de pessoas na orla de Copacabana gritando “não ao Preconceito” se resumiu a um único dia… outro fato vem da pagina do congresso, o congresso abriu uma enquete publica questionando sobre se a população é a favor da criminalização da homofobia, a PLC 122/2006, esteja com 59% de votos contrários a criminalização da homofobia…
Me sinto, triste, chateado e com o coração partido, meu orgulho de ser “filho da PUC” com este ato e com a atitude tomada pelos organizadores e pela Vice-Reitoria Comunitária e prefeitura do Campus, me fazem questionar e diminuir o meu orgulho pela PUC. Uma vez que a palavra Católica representa UNIVERSAL, a mensagem Católica sendo para todos os seres vivente da Terra, a idéia, como expressa o Reitor de uma Universidade Católica, é que os saberes sejam levados a todos os povos da terra levando alem da universalidade do conhecimento a mensagem de Deus, será que o diferente não faz parte da universalidade dos povos?
O pior câncer deste mundo é o preconceito. E atos como esse me abrem os olhos que devemos continuar a lutar por nossos direitos! Convido a você que me lê, a jamais deixar que a “grande mídia” não apresente os fatos considerados “isolados e que não impedem o ‘brilhantismo’ de eventos”.
Viva o Orgulho GAY!
Juliano Lima
Graduando Engenharia Quimica – PUC-Rio

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